Quando penso no cenário atual da advocacia, percebo como a discussão sobre remuneração jurídica se tornou ainda mais relevante nos últimos anos. Em 2026, o desafio não está apenas no quanto cobrar por um trabalho, mas em como estruturar essa cobrança para garantir a sustentabilidade do escritório e, claro, a valorização do tempo e conhecimento do advogado.
Segundo dados recentes do Conselho Federal da OAB, 52% dos 1,37 milhão de advogados ativos têm menos de dez anos de carreira, com a maioria recebendo menos de cinco salários mínimos mensais. Essa realidade reforça que, para além do volume de processos, a chave para a prosperidade está na precificação estratégica e na entrega de um serviço que vá além do trivial.
Percebi que a evolução do mercado jurídico, antes calcada em tabelas e valores fixos por ato, agora está mais próxima de modelos baseados em valor agregado, recorrência e prevenção de litígios. Advogar, em muitos casos, passou a ser sinônimo de integrar-se aos objetivos do cliente e mensurar resultados de forma individualizada.
O diferencial de 2026 está em construir preço como estratégia, e não mais por rito.
Diferenças entre honorários contratuais, sucumbenciais e arbitrais
Um dos principais obstáculos que vejo para quem inicia na advocacia é justamente diferenciar as várias formas de remuneração disponíveis. Por experiência própria, é mais fácil tomar decisões acertadas quando se entende a lógica e a legalidade de cada tipo de honorário.
- Honorários contratuais: São aqueles pactuados entre advogado e cliente, formalizados em contrato. Podem ser fixos, por hora ou por resultado, sempre alinhados à tabela da OAB local.
- Sucumbenciais: Correspondem àqueles fixados judicialmente, pagos pela parte vencida à vencedora no processo. O artigo 85 do CPC estipula sua obrigatoriedade.
- Arbitrais: Resultam da atuação em procedimentos de arbitragem. A remuneração pode seguir tanto critérios do tribunal arbitral quanto acordo entre as partes, sempre respeitando a ética profissional.
Compreender estas nuances é fundamental para garantir segurança jurídica e transparência na relação advogado-cliente. Um bom contrato, elaborado de forma clara, também é fundamental nesse contexto. Inclusive, recomendo um estudo mais aprofundado sobre boas práticas na elaboração de contratos jurídicos.
Como precificar serviços consultivos e preventivos
Tenho notado cada vez mais a busca por soluções preventivas e de consultoria. O chamado “advogado de partido” ou consultivo não está mais restrito a grandes bancas. Pequenos e médios escritórios estão criando pacotes fixos ou por projeto, ofertando análise de riscos, revisão contratual recorrente e pareceres estratégicos.
Para definir o preço justo nesses casos, acredito que vale olhar para alguns critérios práticos:
- A complexidade técnica do serviço (nível de especialização demandado).
- O tempo previsto para execução das atividades.
- O potencial de prevenção de conflitos e passivos para o cliente.
- A periodicidade do atendimento (mensal, anual, avulso).
- A possibilidade de formar pacotes, integrando consultoria, acompanhamento processual e treinamentos.
| Modelo de Cobrança | Foco Principal | Vantagem para o Escritório |
|---|---|---|
| Hourly Rate (Hora) | Esforço e tempo | Transparência em demandas incertas |
| Fixed Fee (Preço Fixo) | Produto final | Previsibilidade de entrega |
| Success Fee (Êxito) | Resultado final | Alinhamento total com o cliente |
| Value-Based (Valor) | Impacto estratégico | Maior margem de lucro |
Precificar a consultoria exige vender o valor da prevenção. Mostro sempre para meus clientes que um contrato bem elaborado pode evitar custos, disputas judiciais e desgastes futuros, o famoso “custo invisível” que muitas empresas subestimam. Quem apresenta números e exemplos reais consegue mais facilmente tangibilizar o benefício de pagar por prevenção.
Para quem quer estruturar esse modelo, sugero conhecer o guia completo de advocacia de partido. Entender o mecanismo desse tipo de contrato permite organizar demandas recorrentes e aprimorar a previsibilidade de receita do escritório.
E por falar em previsibilidade, todo advogado deveria buscar formas de criar receitas estáveis, seja pelo modelo assinatura, pacotes mensais ou manutenção consultiva. Quem deseja aprofundar nesse tema pode consultar conteúdos de receita recorrente na advocacia empresarial.
Aumentando a margem de lucro por contrato: o papel da tecnologia
Quando parei para calcular horas gastas com tarefas repetitivas, percebi: o grande gargalo do lucro na advocacia mora no operacional. Revisar contratos, organizar arquivos, enviar minutas… tudo isso toma tempo e tira o foco do que realmente traz resultado para o escritório.
Hoje, é impossível pensar em precificação na advocacia sem considerar a automação. Se o seu escritório ainda não digitalizou documentos, implementou notificações automáticas e não integra informações em uma única plataforma, está ficando para trás.
Uso como referência a Contraktor, pois sua plataforma de gestão de contratos, com IA, centraliza solicitações, revisões, assinaturas e gerenciamento documental. Assim, consigo acompanhar prazos, distribuir tarefas e evitar retrabalho, otimizando o tempo gasto por processo ou cliente.
Entre os principais benefícios que reconheço ao incorporar tecnologia na gestão e precificação estão:
- Redução de custos com pessoal administrativo.
- Eliminação de erros manuais e extravio de documentos.
- Proporção adequada de honorários por projeto, já que o esforço operacional é minimizado.
- Visão clara do histórico de contratos, facilitando auditorias e prestação de contas.
- Capacidade de atender mais clientes (e aumentar receita) sem sobrecarregar a equipe.
A grande fronteira da lucratividade em 2026 é a Inteligência Artificial. Ela não apenas automatiza a redação, mas fornece dados para uma precificação muito mais precisa. Para entender como aplicar isso na prática, vale a leitura do nosso guia específico sobre como cobrar honorários advocatícios em tempos de IA. Entender esses mecanismos permitirá construir uma precificação sólida e escalável.
Aliás, eficiência operacional também ajuda a evitar contratos desorganizados no escritório, o que proporciona entregas mais rápidas e auditorias mais eficientes, conforme orientações sobre organização documental para advogados.
Quanto menos tempo perdido no burocrático, maior a margem no estratégico.
O alerta ético: a visão da American Bar Association (ABA)
Não posso falar de lucro e tecnologia sem citar uma discussão fundamental que amadureceu em 2026: a ética na cobrança. A American Bar Association (Formal Opinion 512) trouxe um entendimento claro que impactou o mundo todo: se você usa IA para ganhar eficiência, não pode cobrar do cliente por “horas fictícias” que a máquina economizou.
Se você cobra por hora, a IA pode, ironicamente, reduzir seu faturamento. É por isso que defendo tanto a migração para o Value-Based Pricing. Em vez de vender seu tempo, você vende sua expertise e o resultado. A tecnologia deve servir para aumentar sua margem de lucro através da eficiência, e não para inflar horas de trabalho que não existiram.
Conclusão: Gestão financeira como diferencial competitivo
Construir uma carreira sólida exige mais do que conhecimento de leis. Quem busca destaque precisa tratar o escritório ou departamento jurídico como um negócio, olhando para cada contrato como uma fonte de aprendizado e evolução financeira.
Escolher o modelo de precificação correto e investir em soluções tecnológicas de automação transforma, de forma real, a rentabilidade do escritório jurídico. Não é só questão de redução de custos, mas, principalmente, de criar espaço para o profissional advogar no que realmente faz diferença.
Individualmente, você pode começar a rever processos internos, buscar ferramentas como a Contraktor e estudar como uma boa gestão de contratos contribui para resultados mais previsíveis. Se quiser entender como a digitalização pode apoiar ainda mais sua rotina, recomendo também este conteúdo sobre gestão de contratos eficiente para advogados.
Ao reunir metodologia, automação e estratégia, você deixa de competir por preço e começa a ser reconhecido pelo verdadeiro valor que entrega. E se pensa em ampliar ainda mais suas margens, veja como uma plataforma especializada pode ajudar na redução de custos operacionais na advocacia.
Precificar com inteligência é o primeiro passo para a escala. Se você quer focar na estratégia e deixar o operacional burocrático para especialistas apoiados por tecnologia, conheça a solução de BPO Jurídico da Contraktor e transforme sua rentabilidade.
Perguntas frequentes sobre honorários advocatícios
São valores destinados à remuneração do advogado pelo trabalho prestado ao cliente. Eles podem ser acordados no contrato, fixados pelo juiz ou decorrentes de atuação em arbitragem. Estão previstos no Estatuto da OAB e nas tabelas de honorários das seccionais.
O cálculo deve respeitar a complexidade do caso, o tempo despendido, o valor envolvido e as orientações da tabela da OAB local. Para serviços recorrentes ou projetos, é importante incluir custos operacionais e o retorno esperado. A tecnologia tem sido grande aliada nesse tipo de análise, como discuti em artigos sobre automação e precificação jurídica.
Existem principalmente honorários contratuais (pactuados entre advogado e cliente), sucumbenciais (fixados judicialmente, pagos pela parte vencida) e arbitrais (decorrentes de procedimentos arbitrais). Cada tipo possui regras e formas de pagamento específicas, como abordei anteriormente.
A recomposição de valores deve considerar inflação, atualização das tabelas da OAB, mudanças no escopo dos serviços e novos investimentos em tecnologia. Recomendo revisar contratos periodicamente e comunicar aos clientes toda e qualquer alteração de valor, sempre baseada em justificativas objetivas. O uso de plataformas de gestão, como a Contraktor, permite acompanhar e atualizar contratos de forma mais simples e segura.
Sim. Cobrar pela consulta demonstra profissionalismo, valoriza o tempo do advogado e estabelece expectativas claras com o cliente. Além disso, contribui para evitar consultas informais, tornando a relação mais equilibrada e transparente.

Aumentando a margem de lucro por contrato: o papel da tecnologia
Conclusão: Gestão financeira como diferencial competitivo


